Salário Mínimo 2027: Valor e Custo Real para a Empresa
Salário mínimo 2027: os 970€ previstos, o que falta decidir e quanto custa de facto um trabalhador à empresa, com TSU, seguro e exemplo de uma PME.

Estás a fazer o orçamento para o próximo ano e há uma linha que pesa mais do que todas as outras: os salários. Se tens um restaurante, um salão ou uma loja, uma boa parte da tua equipa ganha o salário mínimo ou perto dele. Cada subida mexe diretamente na tua margem.
O salário mínimo 2027 deverá ser de 970€ brutos por mês. Mas o valor que aparece no recibo não é o que te sai do bolso. Entre 14 pagamentos, TSU, seguro e medicina do trabalho, um trabalhador ao salário mínimo custa bastante mais do que 970€ por mês.
Este artigo explica o que está decidido, o que ainda não está, e faz as contas ao custo real de um trabalhador para uma PME.
Artigo a atualizar
À data de 06/10/2026, o valor do salário mínimo para 2027 ainda não foi fixado por decreto-lei. Vamos atualizar este artigo quando o diploma for publicado em Diário da República.
Salário mínimo 2027: valor previsto e o que falta decidir
Em 2026, a retribuição mínima mensal garantida é de 920€, fixada pelo Decreto-Lei n.º 139/2025, de 29 de dezembro. Esse valor resultou do Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028, assinado a 01/10/2024 pelo Governo, pelas quatro confederações patronais e pela UGT. A CGTP ficou de fora.
O acordo prevê subidas de 50€ por ano: 870€ em 2025, 920€ em 2026, 970€ em 2027 e 1.020€ em 2028. Os 970€ são, por isso, o valor de referência para o salário mínimo 2027. Mas um acordo de concertação não muda salários sozinho. O valor só fica fixado quando o Governo aprovar e publicar o decreto-lei, o que costuma acontecer no fim do ano.
Há pressão para subir mais. Em setembro de 2026, a UGT, que assinou o acordo, disse querer «no mínimo, mil euros» em 2027. A CGTP pede 1.100€ já em janeiro. As confederações patronais rejeitam reabrir a negociação, e a ministra do Trabalho disse que o acordo é para cumprir e que uma revisão não está em cima da mesa. A próxima reunião da Concertação Social está marcada para 21/10/2026.
Resumindo: planeia com 970€, mas deixa alguma folga no orçamento até o decreto sair.
Uma nota sobre a lei laboral. A proposta de reforma «Trabalho XXI» foi chumbada no parlamento a 19/06/2026, por isso continua a aplicar-se o Código do Trabalho atual. Nada muda nas regras de horas extra, férias ou registo de tempos de trabalho por causa dela.
O custo de um trabalhador para a empresa
O salário mínimo é um valor mensal, mas o trabalhador recebe 14 vezes por ano: 12 salários, o subsídio de férias e o subsídio de Natal. Sobre tudo isto, a empresa paga TSU. E há custos que não aparecem no recibo, mas são obrigatórios.
14 pagamentos e TSU
Com 970€ por mês, o trabalhador recebe 13.580€ brutos por ano. A taxa contributiva a cargo do empregador, no regime geral, é de 23,75%, o que dá 3.225,25€ de TSU por ano.
Seguro de acidentes de trabalho
O seguro de acidentes de trabalho é obrigatório para todos os trabalhadores por conta de outrem. O prémio é uma percentagem da massa salarial segura e varia muito com o risco da atividade: abaixo de 1% num escritório, bastante acima disso na construção. Para um restaurante ou um salão, usamos como estimativa 1% sobre os 14 pagamentos, ou seja, cerca de 136€ por ano. Pede uma cotação à tua seguradora, porque o teu valor pode ser diferente.
Medicina e segurança no trabalho
A empresa tem de organizar os serviços de segurança e saúde no trabalho e suportar os exames de saúde dos trabalhadores. Os preços de mercado para uma PME com prestador externo andam, em regra, entre 30€ e 80€ por trabalhador por ano só para a medicina. Usamos 75€ como estimativa para o pacote de medicina e segurança, mas o teu valor depende do contrato com o prestador. Sobre o que a lei exige, temos um guia de medicina do trabalho obrigatória.
E os fundos de compensação?
O Fundo de Compensação do Trabalho acabou: as contribuições terminaram em maio de 2023 e o Decreto-Lei n.º 115/2023 extinguiu a obrigação de vez a partir de 01/01/2024. As contribuições para o Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho (0,075% da retribuição base e diuturnidades) estão suspensas, numa suspensão ligada ao acordo de rendimentos que tinha 2026 como horizonte. Para 2027 ainda não há confirmação pública de que a suspensão continua. O impacto é pequeno, cerca de 8,73€ por ano por trabalhador ao salário mínimo, mas confirma com o contabilista em janeiro.
As contas: quanto custa um trabalhador ao salário mínimo em 2027
Juntando tudo, com 970€ por mês:
| Custo anual por trabalhador | 2026 (920€) | 2027 (970€ previstos) |
|---|---|---|
| Salários (14 pagamentos) | 12.880,00€ | 13.580,00€ |
| TSU da empresa (23,75%) | 3.059,00€ | 3.225,25€ |
| Seguro de acidentes de trabalho (estimativa, 1%) | 128,80€ | 135,80€ |
| Medicina e segurança no trabalho (estimativa) | 75,00€ | 75,00€ |
| Total | 16.142,80€ | 17.016,05€ |
Um trabalhador ao salário mínimo vai custar cerca de 17.016€ por ano em 2027, ou seja, uns 1.418€ por mês se dividires por 12. São mais 873€ do que em 2026, por pessoa.
Ficam de fora o subsídio de alimentação, que a lei não impõe mas muitas convenções coletivas preveem, as horas extra, o trabalho noturno e em feriados, e a formação. Se a tua convenção prevê subsídio de refeição ou refeições em espécie, soma-os.
Exemplo: um restaurante com seis pessoas
Imagina um restaurante em Coimbra com seis pessoas ao salário mínimo: dois na cozinha, três na sala e uma pessoa na copa. Em 2027, a massa salarial com encargos chega a cerca de 102.096€. Face a 2026, são mais 5.239,50€ por ano.
Para pagar esse aumento, o restaurante precisa de faturar bastante mais do que 5.239,50€, porque a margem líquida na restauração é curta. Num salão de cabeleireiro com a mesma equipa, a conta é igual.
Há uma forma útil de ver o custo: por hora. Um trabalhador a 40 horas semanais, descontando 22 dias úteis de férias e os feriados obrigatórios, trabalha cerca de 1.800 horas por ano. A 17.016€, cada hora trabalhada custa à empresa à volta de 9,45€. É este número que deves ter na cabeça quando olhas para as escalas.
Onde tens margem: pagar as horas que são realmente trabalhadas
Não podes pagar abaixo do salário mínimo, nem deves. Mas podes garantir que pagas o que é devido, nem mais, nem menos.
Pensa nas horas extra anotadas de memória no fim do mês, na escala que tem duas pessoas na sala às 15h de uma terça-feira sem clientes, ou no turno que ninguém picou e que alguém completa «mais ou menos». Se, numa equipa de seis, os registos falharem em uma hora por semana por pessoa, a 9,45€ a hora são cerca de 2.950€ por ano. Mais de metade do aumento do salário mínimo.
O erro também pode ir no sentido oposto. Horas extra feitas e não registadas são uma contraordenação, e o registo de tempos de trabalho é obrigatório pelo Artigo 202.º do Código do Trabalho. Explicamos os limites e os acréscimos no guia sobre trabalho suplementar e horas extra.
Ponto sem hardware: menos uma despesa
Quando a massa salarial sobe, comprar um relógio de ponto é a última coisa de que precisas. Um terminal obriga a comprar equipamento, instalá-lo e mantê-lo, e se for biométrico levanta questões de RGPD que explicamos no artigo sobre o relógio de ponto biométrico.
Com o TeamYo, a equipa pica no telemóvel. No plano Pro, cada local pode ter uma zona de picagem por GPS, com um raio entre 20 metros e 5 quilómetros, e uma picagem fora da zona é recusada. Os turnos, incluindo os partidos, por exemplo 10h-14h e 18h-22h, são preparados em escala e validados antes de publicar, para não falhares as 11 horas de descanso entre turnos.
Se alguém se esquece de picar, o TeamYo avisa o colaborador e a chefia passados os minutos que definires. E no dia do mês que escolheres, o contabilista recebe por email o Excel do mês anterior, com as horas, as ausências, as horas noturnas e em feriado.
O plano Pro custa a partir de 1,70€ por colaborador por mês, em faturação anual. Para seis pessoas, são cerca de 122€ por ano. Vê como funciona num restaurante ou na página do software de registo de ponto.
Conclusão
O salário mínimo 2027 deverá subir para 970€, como prevê o acordo tripartido, mas o valor só fica fechado com o decreto-lei. Com 14 pagamentos, TSU e os custos obrigatórios, cada trabalhador ao salário mínimo vai custar à tua empresa cerca de 17.000€ por ano.
Não controlas o salário mínimo. Controlas as escalas, as horas registadas e a informação que chega ao contabilista. Já sabes quantas horas a tua equipa trabalhou de facto no mês passado?
Qual é o valor do salário mínimo em 2027?
O acordo tripartido 2025-2028 prevê 970€ por mês em 2027. À data de 06/10/2026, o valor ainda não foi fixado por decreto-lei. A UGT pede pelo menos 1.000€ e a CGTP 1.100€.
Quanto custa um trabalhador ao salário mínimo à empresa?
Com 970€ por mês, cerca de 17.016€ por ano: 13.580€ de salários em 14 pagamentos, 3.225,25€ de TSU, e estimativas de 135,80€ de seguro de acidentes de trabalho e 75€ de medicina e segurança no trabalho.
Qual é a TSU paga pela empresa?
No regime geral, 23,75% sobre a retribuição, a cargo do empregador. O trabalhador desconta 11%. A TSU incide também sobre os subsídios de férias e de Natal.
Ainda tenho de pagar o Fundo de Compensação do Trabalho?
Não. As contribuições para o FCT terminaram em 2023. As do Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho estão suspensas. Para 2027, confirma com o teu contabilista se a suspensão se mantém.
Quando é publicado o salário mínimo de 2027?
O decreto-lei costuma sair no fim do ano, com efeitos a 1 de janeiro. O de 2026 foi publicado a 29/12/2025.
Paga as horas que a equipa trabalhou de facto
Picagem no telemóvel com GPS, escalas validadas, alertas de picagem em falta e o Excel do mês enviado ao contabilista. Plano Pro a partir de 1,70€ por colaborador/mês.
Sobre o autor
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